terça-feira , 22 julho 2014
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Amor-próprio também se aprende

Amor-próprio também se aprende

Dicas para desenvolver e alimentar a auto-estima dos pequenos.

Às vezes nos sentimos meio estranhos. Olhamos no espelho e não nos achamos bonitos, temos a impressão de que não somos tão inteligentes ou interessantes – sinal claro de que a estima que temos por nós mesmos não está assim tão em alta.

Se isso ocorre vez ou outra, nenhum problema. Porém, se essa sensação é constante, muitas podem ser as consequências negativas no comportamento e até na própria saúde. Está mais do que comprovado que manter a auto-estima em bons níveis é essencial para a saúde mental e física de todo ser humano.

E é justamente na infância que essa relação conosco se estabelece de maneira mais decisiva, o que evidencia a importância de alimentar nos pequenos o amor-próprio desde muito cedo.

O objetivo principal está no que muitos adultos procuram usando as mais variadas técnicas: a capacidade de respeitar, confiar e gostar de si, pelo menos na maior parte do tempo.

Aprendendo a ser quem é

Quando somos bebês, não temos noção da diferença que existe entre nós e o mundo. Nossa individualidade forma-se aos poucos e, por isso mesmo, não há nenhum filtro em relação às informações que nos cercam. Recebemos os sentimentos que nos são remetidos como se fossem toda a realidade e verdade do universo (e, nessa época, de fato eles são tudo o que conhecemos da vida). Por isso é tão importante mostrar para o bebê que ele é importante, amado, querido.

É a partir dessas sensações que ele começará a estabelecer contato com a vida e com o mundo. Iniciar essa jornada sentindo-se rejeitado, ou sendo vítima de violência, pode gerar sequelas emocionais que precisarão ser tratadas em outros momentos da vida.

Maior, a criança já tem noção da sua individualidade, mas continua formando através do mundo a idéia que faz de si mesma. É função dos adultos cuidar para que ela acredite em si e aprenda a conviver com suas habilidades e dificuldades. Esse aprendizado dentro de casa é fundamental para preparar os pequenos rumo à fase escolar, outra etapa cheia de desafios e adaptações.

O contato com outras crianças e suas realidades pode ser um verdadeiro choque para uma criança que não recebeu, desde cedo, a carga de “suprimento” necessária para uma auto-estima saudável. Mesmo tendo habilidades, ela se sentirá constantemente inferior aos amiguinhos e essa postura interna, muitas vezes exteriorizada através da timidez, tende, inclusive, a dificultar o rendimento escolar.

Por outro lado, a criança pode conseguir tirar boas notas, mas terá grandes dificuldades em estabelecer contato com as outras crianças da sua idade. Os prejuízos podem ser grandes uma vez que essa relação social é muito importante para o desenvolvimento da psique dos pequenos.

Eu erro, você também

Atentar para o comportamento das crianças significa, para pais e educadores, perceber as próprias reações. Muitas vezes, pais com problemas de auto-estima projetam nos filhos as realizações e glórias que não conseguiram para si. Cobram das crianças posturas e opções que nada têm a ver com as verdadeiras vontades dos pequenos.

Passar a infância ouvindo dos pais que é preciso mudar, ser diferente, ser bom em outras coisas, sentindo-se desvalorizado, não ajuda a desenvolver nenhum potencial.

Por isso, é necessário que os adultos compreendam que as crianças têm também sua individualidade. São seres descobrindo o mundo e também descobrindo do que gostam, o que desejam, o que podem fazer melhor. É claro que é importante agir para o aprendizado mínimo de todas as disciplinas escolares, por exemplo.

Mas não é justo para com a criança exigir que ela tenha em português a mesma nota que tem em matemática se, na verdade, ela tem muito mais habilidade lógica do que para escrever suas redações.

Outro ponto importante é deixar claro para a criança que a perfeição não é a medida das coisas. Erros, defeitos e inabilidades fazem parte de todos os seres humanos. Podem ser trabalhados, analisados, melhorados, mas jamais precisam ser sinônimo de sofrimento e sensação de inferioridade.

Uma boa maneira de passar adiante essa noção é adquirindo a habilidade de assumir os próprios erros. Vendo que seus maiores heróis – pais e educadores – também erram, as crianças se desobrigam de atingir a perfeição como única maneira de reconhecimento.

Ver que esses mesmos “heróis” também tentam melhorar e precisam se esforçar para isso é um dos melhores exemplos a se passar a uma criança. Ela perceberá que, na prática, habilidades e qualidades são adquiridas também com esforço, disciplina, humildade e muito trabalho.

Relações reais

É necessário também levar em conta o contexto histórico em que as crianças estão sendo criadas. Na era do virtual, da quantidade excessiva de informações, da competitividade como regra numa suposta preparação para o predatório mercado de trabalho, algumas observações merecem destaque. “O contato entre pais e filhos precisa se estabelecer de forma real, não virtual.

Atualmente as crianças têm uma semana tão preenchida de atividades fora de casa que não sobra tempo livre para que simplesmente brinquem, saboreiem a própria casa e o carinho dos pais”, explica a psicóloga Izabel Skaff.*.

“Ocupados em levar os filhos a uma grande quantidade de atividades externas, os pais perdem a grande oportunidade de ter tempo para conhecer a criança, observá-la, perceber seu crescimento, brincar junto, enfim, criar um espaço interior onde a comunicação pura e simples possa emergir e a escuta cuidadosa possa acontecer.

 Esse contato direto, atento e sem pressa faz com que a criança se sinta devidamente olhada, ouvida, respeitada. O contato amoroso é uma das bases da auto-estima”, completa a psicóloga. Afeto é, portanto, mais um dos indispensáveis ingredientes na construção de uma auto-estima sólida.

Dicas

Juntando os ingredientes, algumas dicas para alimentar o amor-próprio dos pequenos. São posturas práticas bastante simples, mas capazes de fortalecer a confiança das crianças em si mesmas, o respeito pelos próprios desejos e habilidades, bem como a capacidade de lidar com os próprios erros e dificuldades.

Você consegue – É muito importante para as crianças o incentivo à realização de tarefas. Mesmo que em princípio os pequenos encontrem dificuldades para, por exemplo, servirem o suco ou ajudarem a arrumar seus brinquedos, é importante que sejam incentivadas a continuar tentando e congratuladas quando completarem a tarefa.

Fazer pela criança muitas vezes pode parecer mais prático, mas irá, aos poucos, criar a sensação de que ela não é capaz de realizar tarefas que são simples para os mais velhos.

Nada de comparações – As crianças não devem se sentir comparadas com irmãos ou amiguinhos. Cada pessoa tem suas características e essas devem ser respeitadas assim, individualmente. Embora vivamos num mundo altamente competitivo, fazer com que seu filho queira ser melhor que os outros pode ser bastante perigoso.

Dando importância para essa hierarquia imaginária, a criança dificilmente respeitará as outras ao se sentir superior. Caso se sinta inferior, não conseguirá respeitar a si mesma. Nada como o equilíbrio, e o respeito a si e aos outros, como uma maneira de incentivar o amor-próprio.

Não à culpa – Se existe algo capaz de minar a auto-estima dos pequenos é culpá-los excessivamente pelos seus erros. Broncas muitas vezes são necessárias, mas relembrar o tempo todo à criança de suas falhas não é o caminho. Também é importante não culpá-la por problemas que, na verdade, não são delas. Exemplo é dizer para a criança que ela é a culpada de seu mau-humor ou cansaço.

Saber escutar as crianças, estar realmente presente no processo de desenvolvimento delas, agir com o máximo de bom senso e amor são atitudes tão importantes para o crescimento saudável quanto uma boa alimentação ou o acesso à cultura e conhecimentos diversos. Um trabalho que exige dedicação diária, calma e – por que não?- muito aprendizado. Um esforço que tem tudo para ser muito bem recompensado.

* Izabel Skaff é psicoterapeuta, atende a crianças e adultos e ajudou a equipe do Nestlé Faz Bem a juntar os ingredientes para alimentar a auto-estima dos pequenos.  

Fonte: Nestle

 

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